Nada pior para uma mente vazia do que uma lembrança indesejada. Cheguei a essa conclusão hoje, na hora do almoço. Não, não me lembrei de nada que fosse desagradável (pelo menos não automaticamente) mas, em conversa com um amigo, concluí que certas lembranças só vêm à tona quando nada - ou quase nada - ocupa nossa cabeça!
É claro que, em certos casos, quando a lembrança é forte demais, ela chega a tomar o seu espaço mental sem pedir licença e te desloca do seu mundo real para um mundo paralelo. É como se a simples memória de alguma coisa ou pessoa tivesse o poder de te transportar para matrix! No mundo paralelo, você se isola e não escuta o que estão falando ao seu lado, nem vê o slideshow à sua frente. Fica apenas aquela sensação de estar vivenciando um fenômeno paranormal até que uma pergunta te traz de volta ao seu mundo real: "O que você acha?". Aí você percebe que acabou de voltar de outra dimensão. "Você concorda?" também tem esse efeito. Todo mundo já passou por isso na vida e eu posso dizer que, nos últimos tempos, tenho passado com freqüência!
Mas não era bem sobre isso que eu falava no meu almoço hoje. Era sobre o maldito "tudo" que nos lembra algo de que queremos nos desvencilhar! "Tudo lembra" o que eu não quero lembrar, e eu evito essa lembrança porque ela me fez sofrer ou porque ela está me fazendo sofrer! Esse é um mal para a humanidade. As pessoas querem seguir adiante nas suas vidas mas "tudo lembra" um passado e impede que o presente e o futuro sejam vividos com mais intensidade! Seria muito mais simples se pudéssemos olhar tudo como se fosse novo, sob uma nova perspectiva, como se fosse a primeira vez, como se estivéssemos diante do desconhecido ou do inesperado. Mas não adianta..."tudo lembra"! E tudo nos atrasa. E tudo nos prende a um passado.
Agora vejamos isso do ponto de vista de quem enfrenta uma situação de imersão no ócio quase absoluto - eu. A depender da intensidade da minha ociosidade, eu posso passar meu dia quase todo com a cabeça vazia (ou seja, sem nada que exija meu raciocínio e minha inteligência). Mesmo que a memória não venha a mim com a força que eu mencionei, eu posso ser atacada pelo "tudo lembra", e com muito mais facilidade! E se isso me der uma trégua, aí acontece o pior: eu procuro sarna para me coçar! Vasculho, no fundo do meu cérebro, as lembranças menos recomendáveis e trago todas à tona, numa atitude de quem não sabe aproveitar seu momento de paz!
Eu poderia meditar, poderia fazer pesquisas na internet, poderia fazer um curso online ou escrever mais textos para meu blog. Mas a tentação é grande, meus amigos! E ela me faz remoer tudo que me faz sofrer, relembrando um passado que não volta mais. Acho que até o meu inconsciente, numa atitude de revolta contra essa falta do que fazer, anda me levando a gestos extremos. Talvez para me forçar a procurar uma saída.
Será que tem remédio para isso? Tem sim, vários. No meu caso, especificamente, o trabalho seria uma excelente indicação! Mas esse remédio é complicado, apesar de ser o mais fácil de conseguir. E é tão complicado que, até conseguir chegar a ele, já terei mudado meu nome para Trinity e talvez esteja vivendo definitavemente em matrix!
Hum... Se eu encontrasse o Neo, até que não seria uma má idéia, hein?!
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
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